ALVIM E OS ESQUILOS CEGOS

ALVIM E OS ESQUILOS CEGOS
Sim foi uma armação, mas ela não veio da esquerda, ela veio do
próprio Planalto.
A cena, a pose, a música, a paráfrase e principalmente o
discurso na íntegra, formam uma peça obscena de tão grotesca.
Assim como corpo e mente na biologia, assim como análise e
síntese na filosofia, estilo e conteúdo na estética são coisas diferentes mas inseparáveis.
Uma não existe sem a outra. É o conjunto integrado da obra que conta.
O Roberto Alvim, com seu pendor para a estética nazista, se
entusiasmou com o poder e se deixou levar pela ideia de cultura do presidente
Bolsonaro.
Cultura não é ordem unida na qual a tropa segue as ordens de
cima para baixo numa cadeia vertical de comando.
Cultura é o resultado coletivo da manifestação livre e
espontânea dos indivíduos que formam a sociedade na qual estão inseridos.
Cultura é como pedaços de vidro colorido colocados um a um pelo povo em um
caleidoscópio gigante.
Cultura não é apenas arte, arte é apenas uma de suas partes.
Cultura significa mentalidades somadas, divididas e
multiplicadas, sendo que no Brasil, vemos paradoxos complexos, somos ao mesmo
tempo individualistas nos ganhos, mas coletivistas nas perdas; gostamos de
liberdade, mas rejeitamos responsabilidades; colocamos acima de tudo nosso auto
interesse, mas achamos virtuoso o auto sacrifico alheio.
Roberto Alvim entregou o recado com tal espalhafato que lhe
custou o cargo. Notem bem, Alvim não falou por Goebbels, usou Goebbels para
falar pelo presidente Bolsonaro.
O presidente pediu e ele tratou de obedecer.
Jair Bolsonaro quer criar uma cultura baseada na religião que
ele professa, como já havia dito durante sua campanha presidencial.
O presidente quer criar uma cultura baseada no auto sacrifício,
que é o que sua religião e ideologia consideram virtuoso.
Jair Bolsonaro quer criar uma cultura coletivista que considere
mesquinhez quando alguém defende seus interesses particulares.
Pelo que disse o ex-secretário, nosso presidente quer implantar
no Brasil tudo que não deu certo no mundo, uma sociedade teocrática,
coletivista, estatista e nacionalista, onde o governo dita as ordens, a maioria
apóia e a menor minoria do mundo, o indivíduo, obedece.
A performance digna de um Charlie Chaplin foi diversionista.
Todos se horrorizaram com a obra de arte e o artista acabou
demitido.
Mas o enredo não terminou por aí. Essa foi apenas a primeira
temporada.
Precisamos ficar de olho no cineasta.
Precisamos ficar de olho no presidente Bolsonaro para sabermos a
que fim levará esse script.
Não podemos ser figurantes, precisamos ter protagonismo como os
verdadeiros donos que somos deste estùdio de terceiro mundo chamado Brasil.
Como tal, não podemos aceitar que o governo faça o que bem
entende. Não podemos admitir que ele pague subsídios que tiram empregos de quem
cria valor no mercado, para transferi-los para artistas e intelectuais
escolhidos por burocratas seja lá por quais critérios forem.
Não cabe ao governo ter uma secretaria preocupada em produzir
uma cultura transgênica que não reflete com espontaneidade nossos princípios,
valores e ideais como nação.
Urge que o Congresso e o próprio presidente acabem com essa
mania fascista e socialista de querer construir uma identidade nacional a
partir do governo.
Cultura é uma manifestação popular, individual, voluntária e
espontânea que se constrói no lar, na escola e nas ruas, jamais no gabinete de
qualquer servidor público.





Comentários
Postar um comentário